Agora que os ingleses, os gregos (buuuuuuu!) e os outros todos já partiram, o Bidé saiu à rua (estranha imagem) para tentar encontrar resposta para uma das questões que mais celeuma levantou durante o último mês cada vez que se viam imagens de adeptos de futebol: Porque é que os homens bebem tanta cerveja?
Após muita investigação julgo poder informar que encontrámos a tão ansiada resposta. Na verdade, na maioria dos casos, os homens não bebem cerveja porque gostam ou mesmo para provocar distúrbios, mas sim para… fica sempre bem um suspense… para impedir outros homens de beberem cerveja sozinhos! Os homens não bebem cerveja sozinhos! Há como que um pacto social inaudito, entre homens, que os leva a serem solidários na hora de virar umas bejecas!
Quantas e quantas vezes terá você já ouvido ou protagonizado uma conversa destas:
- Que é que vais beber?
- Eu cá bebia uma cerveja.
- A mim não me apetece.
- Anda lá, só uma cervejinha.
- Tinha pensado beber uma ginger ale.
- Vá lá, bebe uma cerveja comigo.
- Pronto, está bem. Mas só para te fazer companhia.
O que é que há assim de tão assustador que leva homens graúdos a temerem beber cerveja sozinhos? Porque é que gerações e gerações de homens ficam tão apreensivos em beber desacompanhados uma bebida fermentada? Que perigos se escondem por trás (ou dentro) num copo de imperial?
O Bidé seguindo os princípios editoriais da TVI, conseguiu uma entrevista que mais ninguém conseguiu (porque também ninguém queria). Assim e em EXCLUSIVO, aqui fica o registo impressionante de um dos poucos homens que ousou beber cerveja completamente sozinho. Vamos apenas chamar-lhe José Joaquim da Costa Ferreira e Silva. Resolvemos também modificar a letra e usar o itálico para manter o seu anonimato.
Advertimos para o facto do relato seguinte poder ferir os mais susceptíveis ou impressionáveis.
- Podia contar aos nossos leitores a sua extraordinária história de coragem?
- Qual?
- Aquela da cerveja.
- Ah. Atão, portantos, era princípios de Julho, não é?, tava calor como à porra e a mod’s que me deu a sede.
- E depois, o que é que aconteceu, lembra-se?
- Pois tá claro. Lembro-me como se fosse ontem.
- Porque foi mesmo ontem, certo?
- Exactamentes.
- Continue por favor.
- Prontos, deu-me a sede, ia a passar por um snack-bar e olhe, entrei.
- Pode tentar descrever-nos como foi lidar com essa necessidade invulgar de entrar num bar quando lhe deu a sede? O que sentiu nesse momento?
- Foi como uma força.
- Uma força?
- Sim, como uma força que ninguém pode parar. Como uma sede que ninguém pode matar.
- Maravilhoso! E depois? E depois?
- Depois sentei-me ao balcão, virei-me pró empregado e disse, “Ó chefe, era uma loira fresquinha, se faxavor”!
- Isso é de facto fenomenal! Senhor José Joaquim da Costa Ferreira e Silva, o que os nossos leitores querem saber é: o que pensou naquele momento?
- Bem, acho que pensei: Até que isto ia bem com uns tremoços…
- É notável! Apesar do momento de tensão ainda conseguiu manter a lucidez não é verdade?
- Lucidez? Pois tá claro, quem é que você pensa que eu sou? Ainda só tinha bebido duas taças de vinho ao pequeno-almoço.
- Que interessante! E diga-me, você teve consciência na altura da audácia que estava a cometer no momento, ao beber uma cerveja completamente sozinho?
- …
- Eu reformulo a pergunta: nem por um segundo hesitou e lhe passou pela cabeça pedir por exemplo, um panachê?
- Não.
- Muito bem, muito bem. O seu relato é assombroso!
- …
- É verdade, é verdade, o seu relato é assombroso… E agora como é que se acaba esta entrevista?
- Sei lá ó carago.
- É que devia acabar assim com alguma coisa com piada.
- Olha, para acabar vais pagar as imperiais que prometeste.